sábado, 18 de abril de 2015

Fiscalidade cô-de-rosa



Desde Fevereiro passado que tenho que pagar 10 tostões por cada saco trazido para casa. Tudo bem, já se sabia há um ano pela boca do ministro do ambiente e dos escaravelhos. É a fiscalidade cô-de-rosa, para cobrir as mazelas ambientais do plástico sobre o ciclo de vida dos passarinhos e das flores. Os plásticos representam 11% da capitação actual de lixo humanóide, isto é por cada 10 kg de lixarada que faz um humano, mais de 1 kg é de plástico (fonte: Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, 2011). Mas ora que o grande pragmático merdolas deste traste ambiental se esqueceu do resto... Então não é que o ministrolóide não inclui na sua fiscalidade sobre as tetas de plástico das porcalhonas das suas acessoras? Foda-se, ou há colhões ou não! O que não pode ser é o pobre a pagar pelo rico. O pobre vai ao supermercado, paga IVA, paga o saco, paga o produto a 250 % do custo grossista, e ainda apresenta o cartão poupa-mais para contribuir para o inventário fiscal. Já o rico manda a criada à mercearia gourmet, deixa o fiado na conta para depois (que, por sinal, é expressa e legalmente proibida) e recebe as contas em saco de papel kraft, esse bem inesgotável que os nossos benfeitores das corporações de pasta de papel nos proporcionam a partir dos malvados dos eucaliptos. Ámen. Viva o papel, abaixo o plástico!
O que o ministrolóide economista nos quer fazer ver até não deixa de ser nobre: que empacotar a sarda numa camisa de Vénus de látex tem os seus gastos ambientais. Ao menos fosse de papel, que saía mais barato ao estado ter mais crias contribuintes. Uma medida nada utópica e bem exequível seria a seguinte: criar um sistema de retorno de plástico, à semelhança do que já houve (e ainda existe de forma moribunda) para o vidro. Ao entregar na junta de freguesia 10 kg de plástico recebe um voucher para 10 sacos de plástico (um total de 200 g) para usufruir na mercearia do costume. Digam lá que não era razoável.

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