Já havia poucas hamburguerias gourmet por hectare,
que agora ainda temos que levar com a sofisticação do sushi. A palavra nem
sequer está bem escrita à luz do ditongo português. Começamos logo mal. Devia
escrever-se suchi ou suxi. Suxi = sumo de xixa. Tenho um amigo que é fanático
pela cultura nipónica e forte aficionado desta iguaria de olhos em bico. Segundo ele, consta como diária
na tasca dos deuses, é prato ecologicamente sustentável, é a iguaria que
envolve mais amor e carinho na confecção e na disposição. Curiosamente, o meu
amigo N. nunca foi ao Alentejo nem nunca comeu uma sande de torresmos.
Torresmos de porco sustentável e ecológico. Alimentado a restos de
comida dos seus curadores, vivido no mais justo dos mundos, chafurdando alegre na sua
própria merda sem a impor aos outros. O suíno tradicional é morto com a maior dignidade, em cerimonial, faca
afiada e certeira, descolando manjares desde a pele até ao tutano. Isto é ecologia local, economia sustentável e lição ancestral da sobrevivência. O Suxi também é algo ancestral que carrega
a história honrada das gentes de olhos em bico, pois os peixinhos também levam com faca afiada no desfecho das suas vidas.
O que o meu amigo N. ignora é que os sabores nipónicos, que tanto ritual emanam, demoram o seu tempo a cá chegar. E que tempo é dinheiro, e que o wasabi e o surimi e o niguiri e o rai-ca-parta-i vêm carregados num navio que estropiou resmas de fofinhos golfinhos pelo seu caminho. Matou indirectamente outros milhões de seres vivos marinhos seu rasto carbónico. Não faz mal. Há muitos outros amigos dispostos a pagar esse preço e a terem orgasmos gástricos com as postas de pescado no instagram, a glória e a delicadeza do suxi! Oh sim! Oh Oh! Estes indivíduos costumam ser pouco dados a sopa de feijão com couve ou cacholeira assada - não sei porquê, abominam este rústico sabor a portugalidade. Os eco-amigos não apreciam um rico cozido à portuguesa, contudo especialistas em facas shogun e brunch à base de peixe crú e delícias do mar. Pobres de espírito, não hão-de conhecer a majestosidade de uma suruba no sunset, na companhia do gin de tremoço, do toucinho frito e da morcela assada.
O que o meu amigo N. ignora é que os sabores nipónicos, que tanto ritual emanam, demoram o seu tempo a cá chegar. E que tempo é dinheiro, e que o wasabi e o surimi e o niguiri e o rai-ca-parta-i vêm carregados num navio que estropiou resmas de fofinhos golfinhos pelo seu caminho. Matou indirectamente outros milhões de seres vivos marinhos seu rasto carbónico. Não faz mal. Há muitos outros amigos dispostos a pagar esse preço e a terem orgasmos gástricos com as postas de pescado no instagram, a glória e a delicadeza do suxi! Oh sim! Oh Oh! Estes indivíduos costumam ser pouco dados a sopa de feijão com couve ou cacholeira assada - não sei porquê, abominam este rústico sabor a portugalidade. Os eco-amigos não apreciam um rico cozido à portuguesa, contudo especialistas em facas shogun e brunch à base de peixe crú e delícias do mar. Pobres de espírito, não hão-de conhecer a majestosidade de uma suruba no sunset, na companhia do gin de tremoço, do toucinho frito e da morcela assada.