segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sushi de rabo de porco

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Já havia poucas hamburguerias gourmet por hectare, que agora ainda temos que levar com a sofisticação do sushi. A palavra nem sequer está bem escrita à luz do ditongo português. Começamos logo mal. Devia escrever-se suchi ou suxi. Suxi = sumo de xixa. Tenho um amigo que é fanático pela cultura nipónica e forte aficionado desta iguaria de olhos em bico. Segundo ele, consta como diária na tasca dos deuses, é prato ecologicamente sustentável, é a iguaria que envolve mais amor e carinho na confecção e na disposição. Curiosamente, o meu amigo N. nunca foi ao Alentejo nem nunca comeu uma sande de torresmos. Torresmos de porco sustentável e ecológico. Alimentado a  restos de comida dos seus curadores, vivido no mais justo dos mundos, chafurdando alegre na sua própria merda sem a impor aos outros. O suíno tradicional é morto com a maior dignidade, em cerimonial, faca afiada e certeira, descolando manjares desde a pele até ao tutano. Isto é ecologia local, economia sustentável e lição ancestral da sobrevivência. O Suxi também é algo ancestral que carrega a história honrada das gentes de olhos em bico, pois os peixinhos também levam com faca afiada no desfecho das suas vidas. 
O que o meu amigo N. ignora é que os sabores nipónicos, que tanto ritual emanam, demoram o seu tempo a cá chegar. E que tempo é dinheiro, e que o wasabi e o surimi e o niguiri e o rai-ca-parta-i vêm carregados num navio que estropiou resmas de fofinhos golfinhos pelo seu caminho. Matou indirectamente outros milhões de seres vivos marinhos seu rasto carbónico. Não faz mal. Há muitos outros amigos dispostos a pagar esse preço e a terem orgasmos gástricos com as postas de pescado no instagram, a glória e a delicadeza do suxi! Oh sim! Oh Oh! Estes indivíduos costumam ser pouco dados a sopa de feijão com couve ou cacholeira assada - não sei porquê, abominam este rústico sabor a portugalidade. Os eco-amigos não apreciam um rico cozido à portuguesa, contudo especialistas em facas shogun e brunch à base de peixe crú e delícias do mar. Pobres de espírito, não hão-de conhecer a majestosidade de uma suruba no sunset, na companhia do gin de tremoço, do toucinho frito e da morcela assada.

É tipo…dahh… lol... vómito ortográfico... lol

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Há algo que não me tem assentado bem na moela: enquanto escrevinho estas coisas, há gajos a debandar-se pela implementação do novo acordo ortográfico (i.e. aborto ortopédico). Que a linguagem é dinâmica, ninguém duvida, e que os escreveres se devem adaptar aos falares comuns à comunidade endémica. E que a semiótica se faz da comunicação coloquial. O que não me parece lógico é a destreza de dedos para escrever bacoradas a torto e a direito, capazes de infectar o último olho disponível do Camões. Donde teclas? D kk lado. Kuantos anus tens? Loool. Tipo… Kuantas doenssas de pele já tivestes? Tipo... foda-se. Que caralho vem a ser esta brotoeja escrita? Se a Prof.ª Dona Angelina ainda leccionasse no mundo dos vivos, com certeza aplicaria um correctivo capaz de alinhar o abecedário pela mais briosa ortografia. 
Neste 25-de-abril-sempre-fascismo-nunca-mais, não me podem obrigar a escrever segundo a injustiça da minha língua! Há privilégios a quem nunca se esforçou por escrever bem e, na maioria dos casos, por falar e lamber bem. Ele há doutores & engenheiros a dizer que hádem sempre lembrar-se de que, entre marido e molher, nunca se mete a culher. Nunca estes serão bons portugueses linguistas... Tudo bem, o que importa é participar, mas eu não participo aqui na rebaldaria! Evocando o ex-presidente saudoso Prof. C., "não fiz, não faço, nem façarei" intenções de ser como estes "cidadões".
Há quem prefira ser reconhecido por falar, pensar e cagar em inglês. Por se exprimir out-of-the-box, por renegar a cultura matarruanesa que nos pariu, e por, tipo, serem hipsters geeks e sofisticados. Não faz mal. O que importa é participar. Somos todos cidadãos e cidadonas. Não me peçam é para abortar a língua do Viriato que me concebeu, porque quem sai aos seus não é de genebra.

sábado, 18 de abril de 2015

O fado e o vinho

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Era uma vez um saco de caspa. Era uma vez uma arrastadeira. Era uma vez. Era uma vez um país. Uma pátria. Sol e mar e fado e vinho tinto. Era uma vez as bolas de ouro e de outro. Depois era uma vez o bebedolas e drogadito que mata a filha, porque é coitadinho e está desempregado. Quando não aparece um Manel Palito, qual el-dom Sebastião da Beira Alta, foragido e aparecido numa manhã de nevoeiro e a cheirar a fumo, o povo não sossega, nem a guarda nem a televisão. O circo chega à cidade montar as aberrações que alimentam as emoções deste manso povo embalado no fado e no vinho.
Ai o vinho!... O vinho de autor e engenho, arquitecto e designer, enólogo e gastrólogo. O vinho de luxo e luxúria, para inglês ver e degustar, vendido a preço de ouro. Um bem transaccionável que nos vai fazer ricos (http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2079297 ). Pelo menos vai deixar-me mais feliz. Mas não o vinho gourmet. Eu sou um gajo simples e satisfaço-me com a zurrapa com que os milhões de compatriotas animam o sangue e os dias azedos e pobres. Enquanto a Sãozinha vai à feira bebericar golinhos de ouro tinto e premonições de crescimento económico, o cidadão comum enterra as suas economias no elixir tinto, traçado e martelado com o chico-espertismo do zé da adega da esquina.
Ai o fado!... O património fado que se vai vender gourmet a Angola a preços de saldo (http://www.ionline.pt/artigos/mais-espectaculos/precos-concerto-mariza-deixam-angolanos-chocados ), enquanto os meninos do Huambo por lá vão cheirando cola e chulé dos seus pés nus. Enquanto canta o fado, o cidadão aventa uma foda sorrateira na puta mais sorrateira, sim, porque o cidadão é respeitável, tem mulher e filhos na faculdade. Mas por falar em faculdade, também por lá os há, os cidadãos respeitáveis, que também aventam fodas compulsivas no vão de escadas (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1518726&seccao=Sul ). Talvez o filho do senhor fado-foda-vinho tinto prossiga o mesmo fado, esperemos que não, mas o que é isso do destino. É tarde. O senhor cidadão respeitável chega a casa transpirado de sexo e percevejos e vinho, canta o fado e dá uma sova na mulher. A mulher cala e canta o fado. Era uma vez um país que batia na mulher e medrou.  

Fiscalidade cô-de-rosa

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Desde Fevereiro passado que tenho que pagar 10 tostões por cada saco trazido para casa. Tudo bem, já se sabia há um ano pela boca do ministro do ambiente e dos escaravelhos. É a fiscalidade cô-de-rosa, para cobrir as mazelas ambientais do plástico sobre o ciclo de vida dos passarinhos e das flores. Os plásticos representam 11% da capitação actual de lixo humanóide, isto é por cada 10 kg de lixarada que faz um humano, mais de 1 kg é de plástico (fonte: Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, 2011). Mas ora que o grande pragmático merdolas deste traste ambiental se esqueceu do resto... Então não é que o ministrolóide não inclui na sua fiscalidade sobre as tetas de plástico das porcalhonas das suas acessoras? Foda-se, ou há colhões ou não! O que não pode ser é o pobre a pagar pelo rico. O pobre vai ao supermercado, paga IVA, paga o saco, paga o produto a 250 % do custo grossista, e ainda apresenta o cartão poupa-mais para contribuir para o inventário fiscal. Já o rico manda a criada à mercearia gourmet, deixa o fiado na conta para depois (que, por sinal, é expressa e legalmente proibida) e recebe as contas em saco de papel kraft, esse bem inesgotável que os nossos benfeitores das corporações de pasta de papel nos proporcionam a partir dos malvados dos eucaliptos. Ámen. Viva o papel, abaixo o plástico!
O que o ministrolóide economista nos quer fazer ver até não deixa de ser nobre: que empacotar a sarda numa camisa de Vénus de látex tem os seus gastos ambientais. Ao menos fosse de papel, que saía mais barato ao estado ter mais crias contribuintes. Uma medida nada utópica e bem exequível seria a seguinte: criar um sistema de retorno de plástico, à semelhança do que já houve (e ainda existe de forma moribunda) para o vidro. Ao entregar na junta de freguesia 10 kg de plástico recebe um voucher para 10 sacos de plástico (um total de 200 g) para usufruir na mercearia do costume. Digam lá que não era razoável.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Vá-conspiração

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Andam para aí agora uns bichos cheios de swag a enfardar dietas vegan e a ruminar moralismos de cordel. Parece que, segundo o documentário cowspiracy, a produção de carne para consumo é uma ameaça à sustentabilidade ecológica. Pronto. É isso. O que me apraz logo dizer que a produção das vacas da playboy ameaça a sustentabilidade (e)conológica. Portanto urge ir abraçar árvores e enfiar umas alfarrobas na peida das vacas para rolhar a emissão de gases com efeito de estufa. Eu nada percebo do assunto, mas a mim ninguém me tira a bela da cacholeira assada e um queijo de Nisa, e admito que assim possa contribuir para o efeito de estufa emitindo alguns gases nobres.
Passo a explicar: então os badalhocos que agora se benzem à frente da bela da chicha não comem? Oh lá se comem! Forragem vegetal, pelo menos sim. É certo e sabido que a fibra vegetal é por excelência o lubrificante do reactor tripal o que, per se resulta numa amálgama contínua de dejectos aliviados, liquefeitos e aromatizados. Houvera a carne para travar as tripas! E depois? Depois veio a atmosfera e comeu o peido vegan. Com ele fez uma estufa muito linda e quentinha. Quanto aos três porquinhos, esses ficaram em casa a engordar a engordar a engordar, enquanto o lobo velhaco comia favas com tofu e rúcula.
Então os badalhocos vegetalóides já não gostam da chicha? Até parece que não passaram os primeiros anos de vida a alambazar-se leite emanado das tetas de uma vaca, foda-se!... O mais assustador não são os gases com efeito de estufa vindos do cagueiro da vaca, mas sim a estufa que os pseudo-cientistas montam no cérebro destes energúmenos: a estufa filtra a radiação incidente, a informação, apreende-a e suprime a sua libertação informada e consciente. Se querem destratar os cagalhões e o mijo das vacas, façam primeiro a avaliação do ciclo de vida do próprio esterco humanóide, incluindo a merda que lhes sai da boca e dos dedos quando se colocam gatinhos e flores e pensamentos zen no facevacas. Uma solução? Deixar de produzir carne podre deste calibre, e a Terra até dava um peido de alívio.
Eu, que sou do campo, gosto de ouvir galos a cantar de madrugada e comer os tomates do porco com ovos mexidos uma vez por ano. Vou ver com certeza o documentário, mas certamente embalado por uma bifana e um carapulo de leite magro. E, com toda a certeza, peidar-me muito menos.

Boas leituras (informadas), dos prós e dos contras: